É talvez uma das parábolas bíblicas mais conhecidas entre nós, no que tange à ingratidão, à ganância, à ira pelo bem material. O filho que usa e abusa dos bens do pai, toma a sua parte da herança, viaja e acaba com tudo e, depois, arrepende-se e volta para a casa.Essa parábola bíblica pode ser adaptada, de uma certa forma, à vida política. Alguns dos nossos políticos assim fazem, muitas vezes. Cospem no prato que comem e esquecem-se que, mais dia, menos dia, podem voltar a precisar deste mesmo prato e da mesma comida.
Ora, o que tem a ver este gajo na foto com esta parábola?
Muita coisa. Mas muita coisa mesmo.
A começar, basta meu amigo internauta recordar-se das notícias que foram publicadas a cerca da sua gestão na Câmara Municipal dos Mosteiros (CMM): há contas por prestar; há esclarecimentos a dar; há justificações a fazer.
Este homem deixou a “casa dos pais” (entenda-se como a CMM), depois de lá ter passado bons dias, a comer sentado e sem preocupações. Este homem, assim como o filho pródigo, tomou a sua parte e foi-se embora.
Foi parar no Governo de José Maria Neves, onde ganharia muito mais e teria muito mais projecção. E teve mesmo. E, longe disso vir aqui questionar a sua ascensão. Eu também faria o mesmo.
Só que, daria as explicações necessárias e deixaria a casa arrumada. Quanto mais não seja quando o próximo dono da casa é inexperiente nessas matérias de gestão (não tinha na altura bagagem suficiente para tal). Agora talvez o tenha (quiçá).
Mas, meu amigo, ainda há mais:
Assim como ao filho pródigo, a este político, a uma dada altura, as coisas não correram muito bem. Bateu boca (num acto de coragem, diga-se) com o chefe e acabou por pedir a demissão do cargo de ministro da administração interna. Cargo no qual muitos o criticaram. Eu, porém, tirando a história de formar polícias a torto e a direito, não considero que tenha sido de todo má a sua gestão.
Depois de “cair” do Governo, foi parar à Assembleia Nacional, em substituição de Matos, alegadamente (mas eu tenho as minhas dúvidas) doente no estrangeiro.
Mais, agora o Sr. Correia quer voltar ao seu povo. Aliás, o Correia já está outra vez na Câmara Municipal dos Mosteiros, mesmo que por via da Assembleia Municipal, outrora dirigida pelo irmão de “Sumbango riba”. Depois de deixar inacabado o projecto do seu segundo mandato (se é que tinha um), agora decide voltar à edilidade mosteirense.
Não esqueçamos também que esta pode ser uma jogada de marketing eleitoral.
Gostaria muito de ver essa parábola ter um fim diferente do da parábola bíblica. Ou seja, que o filho pródigo recebesse uma lição e fosse-lhe (mesmo que não derrotado, o que, sinceramente, não prevejo que venha a acontecer), mostrado que o povo merece respeito.
Ó filho pródigo: desta pode passar, mas tome cautela nas suas próximas saídas. É que, se o povo começar a tomar consciência, as coisas podem tornar “margôss” para vós que sois fanáticos do poder.

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